terça-feira, 26 de junho de 2018

Discuta com o Destino, Faça Acontecer


  "Não discuto com o destino, o que ele pintar eu assino."
Eu nunca gostei muito dessa frase, provavelmente porque a ideia de alguém, além de mim, controlando minha vida me incomoda, e muito, mas acho que o que mais me incomoda é o fato dessa frase nos tornar conformistas. Tipo: "não conseguiu realizar seu grande sonho? Desista! E entenda que algumas coisas não estão destinadas a acontecer." NÃO! isso é errado, não cabe a nós nos sentar e nos conformar com as coisas que acontecem ou não, cabe a nós lutar para que conquistá-las, a persistência leva a vitória, já desistência nunca levou a nada. Isso não significa que TODOS os seus sonhos irão se realizar se você lutar muito por eles. Ás vezes mesmo com muita luta não conseguimos, mas não é melhor arriscar do que passar a vida toda pensando no "e se?"
Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que grandes coisas acontecem quando você sai da sua zona de conforto e ousa.
Como disse Martin Luther King: "É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar."

quarta-feira, 20 de junho de 2018

"A resposta, meu amigo, está soprando ao vento."


  Andei pensando em algumas perguntas, perguntas gigantescas que tem sido feitas desde os primórdios da humanidade, e que até hoje permanecem sem respostas. Perguntas como: Qual o nosso propósito?, Da onde viemos e para onde vamos?, Quem somos?, Existem vida em outros planetas? E até mesmo perguntas bestas como: Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?
 O ser humano é curioso por natureza, nós vivemos para descobrir, aprender e conhecer; aquilo que é desconhecido nos assusta. No dia que pararmos de aprender, paramos de viver. A sede de conhecimento está em nossas veias como o sangue. 
 Acho que o fato de termos evoluído tanto mentalmente e tecnologicamente, e continuarmos sem respostas, só nos deixa mais preocupados e frustrados.
 Todavia, por que essa necessidade tão urgente por respostas? Por que precisamos definir, saber e dar sentido a tudo? Sendo que as melhores coisas da vida, não podem ser definidas, apenas sentidas. 
 Talvez algumas perguntas devam permanecer sem respostas, talvez alguns mistérios da vida devem permanecer não solucionados, porque no fim das contas, é tudo uma questão de fé, depende da sua crença e o quão forte e importante ela é, e talvez o fato de não haver respostas para tudo seja parte da mágica que é a vida. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

13 Reasons Why - Segunda Temporada: O Veredito


  Ano passado fomos apresentados a Hannah Baker e sua trágica história. 13 Reasons Why abriu nossos olhos e mentes para assuntos importantes, que ainda são considerados tabus como suicídio, estupro, bullying, saúde mental, abuso, drogas, porte de armas, depressão, sexualidade, agressão física e assédio sexual.
  A trama que conta a história de como Hannah tirou sua vida e os motivos que a fizeram tomar essa atitude, cativou o público empaticamente (quem não começou a série pensando "eu já fui/sou Hannah Baker" mas acabou a série pensando "ok, mas eu também já fui um de seus porquês ou pelo menos já agi como um")

  Quando a série acabou, opiniões foram divididas. Havia a necessidade de uma segunda temporada ou não? Para alguns sim, porque não haviam encontrado um encerramento na história de Hannah, ou então porque pensassem que sua história só teria fim quando fosse justiça feita (não só para ela, mas também para Jessica).
  Já para outros uma nova temporada não era realmente necessária, algumas pessoas apontaram dizendo que a Netflix estava tentando ganhar dinheiro "as custas do suicídio" ou que uma segunda temporada destruiria tudo aquilo de importante que a série representa.
  Quanto a mim, confesso que desde o começo quis uma nova temporada, cheguei a comentar com diversas pessoas que não via a necessidade de uma temporada completa, que a história poderia ser encerrada em dois ou três episódios de uma ou duas horas (talvez até como fizeram com Sense8), ao terminar de assistir a segunda temporada percebi que realmente prolongaram a história sem necessidade.


  A segunda temporada nos mostra as consequências do suicídio de Hannah e de suas fitas, a fim de "colocar a culpa" em alguém Olivia Baker processa a escola  por ser negligente com sua filha. Enquanto isso Clay tenta seguir em frente com Skye, o que faz com que ele "banque" o herói novamente, mas com o julgamento prestes a acontecer Hannah volta para "assombrá-lo", Alex enfrenta as sequelas de sua tentativa de suicídio e conta com a ajuda de Zach e seus amigos para se recuperar, Tony começa a lidar com seus fantasmas e problemas de raiva, Jessica "tenta" levar uma vida normal voltando a escola depois de seu estupro e Justin vive com a culpa de seu envolvimento no estupro da namorada, o faz com que ele acabe entrando no mundo das drogas.
  Essa temporada teve diversos pontos negativos e positivos, e apesar dos negativos serem maiores eu não consigo deixar de exaltar os positivos. Então, vou só colocar aqui o que achei de bom e ruim.

Pontos Positivos:
  - Preencheu algumas lacunas deixadas pela primeira temporada.
  - Como prometido mostrou as consequências dos atos de Hannah e dos outros.
  - Deu encerramento a história dela, agora que sua história foi ouvida e concluída ela pode finalmente descansar em paz.
  - Por não ter mais Hannah como narradora ela se permitiu focar nos personagens secundários, e nos mostrou a versão deles de algumas histórias, o que nos faz dar uma segunda chance aos personagens que merecem.
  - Mostrou mais Olivia Baker e como ela lidou com o luto

Pontos Negativos:
- Prolongaram demais a história, não havia necessidade de mais 13 episódios.
- Alguns personagem novos foram desnecessários, unicamente por terem sido mau aproveitados (como Skye, Cyrus e Mackenzie)
- A História não concluída de Skye, nos mostram mais da vida dela, mas quando pensamos que vão aprofundar e nos fazer entender melhor a complexidade da personagem, eles meio que desistem dela, o que é revoltante.
-  O último episódio ainda te deixa com aquela sede de justiça que nos foi deixada desde o último episódio da primeira temporada.
- O arco de Tyler é bem "bipolar" eles começaram colocando ele bem pra depois o transformarem num "terrorista" fazendo quase uma referência direta ao massacre de Columbine
- A cena de estupro no último episódio foi extremamente desnecessária e "irrelevante" pra história. Foi como se quisessem mudar toda atenção da história, chamando atenção para um novo problema e com isso trazendo um possível plot para uma nova temporada, que é totalmente dispensável.


   Para mim a melhor coisa sobre essa temporada foi o fato dela tirar Hannah do seu pedestal, ela desmistifica a imagem que temos da garota. O público assim como Clay coloca em sua mente a ideia de que ela era perfeita e por isso a colocamos em um "pedestal".
  Conforme vamos nos aprofundando na vida de Hannah percebemos que ela era só uma garota como tantas outras que tem sonhos e ambições, que também sofre com a pressão da sociedade para sem encaixar em algum lugar, que comete erros e foi marcada por eles, que não foi só julgada, mas também julgou. E tudo isso também reforçou aquilo que dizem que depressão não tem cara, a pessoa pode estar feliz em um momento e definhando no outro, particularmente me trouxe um pouco de paz ver que ela teve um pouco de felicidade na vida e me fez desejar ainda mais que tal tragédia não tivesse acontecido, porque ela seria uma pessoa maravilhosa com uma vida linda pela frente.


  A relação dele com a Hannah continua como vimos anteriormente, a relação continua tão igual que a cada nova descoberta sobre ela, ele parece questionar se realmente a conhecia (coisa que nos dá uma das melhores cenas da série quando Justin o chama de idiota e diz que só porque ela ficou com um cara, gostando de outro ele "de repente" não a conhecia?)
   Clay que continua com dificuldades para aceitar tudo que aconteceu com a amiga começa então, a ver seu "fantasma", que aparentemente surge para ajudá-lo a entender e a superá-la, o que nos rende algumas cenas cansativas, em diversas partes fica claro que o fantasma de Hannah foi só uma desculpa para aproveitar Katherine Langford e sua atuação, que foi digna de uma indicação ao Golden Globes, entretanto as melhores cenas de Hannah & Clay continuam sendo os flashbacks (a melhor inclusive sendo uma conversa com os dois chapados falando sobre o Infinito, já com o fantasma a melhor cena talvez seja uma que se assemelha muito com uma de As Vantagens de Ser Invisível).


   Uma coisa que tem feito diversos fãs reclamarem foi o relacionamento de Clay & Skye, e a falta de química entre os atores, eu não questiono isso, e confesso que fiquei bem revoltada por não terem aproveitado a personagem da Skye direito, mas depois de ver entrevistas com Dylan Minnette eu concordo que havia a necessidade desse relacionamento porque um precisava do outro pra se recuperar, o Clay precisava da Skye pra superar a Hannah e pra entender que por mais que ele queira ele não pode carregar o mundo nas costas e tentar ser o herói pra todos sozinho e a Skye precisava do Clay pra entender que ela tem um "problema" é que precisava de ajuda, porque se não ela seria "outra" Hannah Baker.


 A história de Jessica é abordada fielmente se destaca, Alisha Boe realmente merece todos os reconhecimentos e aplausos pela atuação. Bebendo das águas do movimento #MeToo, é ressaltado o tempo todo como as mulheres vítimas são julgadas e o trauma que isso causa, as impedindo de falar ou tomar uma atitude. É aterrorizante ver que ela encontra seu agressor todos os dias na escola e não tem refúgio, e o pior é vê-lo agindo naturalmente como se nada tivesse acontecido, mas é um pouco reconfortante saber que ela teve uma amiga na mesma situação, que sabe pelo que ela passou para ajudá-la. É ainda mais bizarro ver que outras mulheres acreditam nos boatos sobre ela e diversas vezes apontam o dedo para a chamarem de "Vadia Bêbada", nos faz perguntar porque ás vezes somos tão cruéis umas com as outras, quando na verdade deveríamos nos apoiar.
Outro ponto interessante abordado é culpa que Kevin Porter, o conselheiro da Liberty High, carrega consigo por não ter sido capaz de ajudar Hannah. Em uma cena muito comovente vemos seu depoimento no tribunal onde ele pede desculpas a Olivia Baker por ter decepcionado sua filha, essa cena fez martelar a pergunta que alguns tem feito desde o lançamento da série: Alguém realmente está pronto para falar sobre suicídio? Se até os especialistas tem dificuldades em retratar tal assunto, como poderíamos nós, a "plebe" falar sobre isso da forma certa? E existe mesmo um jeito "certo" sobre abordar um assunto tão delicado? Será que é realmente melhor não falar nada, por medo de falar a coisa errada do que só falar?
Uma coisa que me incomodou desde a temporada passada foi a falta de justiça, vamos admitir todos queríamos ver o Bryce sendo preso e ficamos revoltados por isso não ter acontecido na primeira season finale, e se você acha que isso foi resolvido no fim, não se engane, Bryce Walker foi sim julgado pelo estupro de Jessica, mas apenas pegou três meses de condicional, fato que me deixou com o sangue fervendo de raiva, o que segundo Bryan Yorkey, criador da série, era a intenção. A ideia de Yorkey ao dar uma pena leve para Bryce foi ser realista, porque infelizmente é o que acontece na vida real (principalmente se o estuprador é branco e rico). O que revoltou muito também foi o fato do juiz que sentencia Bryce basicamente construir uma falsa equivalência moral entre Bryce e Jessica quando ele diz algo como "vocês dois fizeram escolhas que os trouxeram até aqui, mas vocês dois ainda são jovens e merecem seguir com suas vidas." Sendo que não há nada equivalente nas decisões de ambos, Bryce DECIDIU estuprar Jessica, ela NÃO DECIDIU ser estuprada, porém no nosso mundo, que apesar de vir buscando mudança, ainda continua extremamente machista, isso realmente acontece.
Outro destaque de atuação foi a veterana Kate Walsh, que nos mostrou uma mulher enlutada, culpada, traumatizada, que só quer entender o que aconteceu com a filha e que por ela quer que a justiça seja feita.
Foi uma temporada sobre intervenção, isolamento social, vícios, justiça, recuperação, cura, luto, cultura do estupro e a cumplicidade do silêncio, amizade, cumplicidade, apoio, verdade, culpa, aceitação e superação. Coisas que os minutos finais do último episódio mostram muito bem.


  Sendo necessária ou não, a segunda temporada de 13 Reasons fez o que vem fazendo desde o começo colocando o dedo na ferida sem medo, e alertando as pessoas da importância de falar sobre assuntos que não são falados com tanta frequência, mas que deveriam, se não como forma de alerta, talvez como prevenção.
Lembrando que você ou alguém que você conhece precisar de ajuda você pode entrar no site da série ou no do C.V.V. (Centro de Valorização da Vida).
Não importa o que você esteja passando, conversar sempre ajuda.
 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Alguns dias ruins são só isso, dias ruins. Respire fundo e deixe eles passarem.

                   
  Tem dia que tudo que a gente precisa é um tempo livre, pra descansar não só o corpo, mas a mente, principalmente a mente. 
Ás vezes nada certo e precisamos parar por um tempo para entender e até para respirar, com o dia á dia tão caótico como está atualmente, precisamos entender que existem algumas coisas que não podemos controlar, e aceitar isso, essa é uma lição que levamos quase a vida para aprender.
  Ás vezes tudo dentro de mim grita e a vontade de jogar tudo pro alto se torna enorme, mas eu sempre digo que não adianta fazer nada de cabeça quente, então, dou um tempo pra esfriar bem a cabeça e depois penso no que fazer.
 Alguns dias eu só quero ficar em casa maratonando minhas séries favoritas, ou assistir todos os filmes do Nicholas Sparks e com eles colocar para fora todo choro que eu já guardei, por vezes a vontade de sair da cama pra enfrentar o mundo lá fora é inexistente, é como se um peso no meu peito me impedisse de levantar; ás vezes eu só quero ficar em casa deitada, rodeada dos meus muitos gatos e esquecer que existe um mundo lá fora.
 Quantos dias eu não me peguei precisando urgentemente de um abraço, de um dia divertido entre amigas, de um colo ou um ombro, de alguém do meu lado me dizendo que tudo vai ficar bem.
 De vez em quando a gente precisa parar pra respirar e olhar pro céu por cinco minutos, só pra lembrar que alguns dias são só ruins, que eles não duram para sempre, e que eles nos deixam mais fortes, nos amadurecem. 
 Ocasionalmente precisamos de um tempo para lembrar que um dia ruim, não significa uma vida ruim, e que tudo passa.   Aposto que num futuro não tão distante assim você nem vai lembrar dos dias tristes. Porque a vida pode ser difícil, dura, triste e muito louca, mas acho que é mais uma louca mistura de dias de merda com dias de festa. 
Lembrem-se disso!

sábado, 28 de abril de 2018

Crítica: Vingadores - Guerra Infinita


  "Surgiu uma ideia. De reunir um grupo de pessoas extraordinárias. Para ver se poderíamos nos tornar algo mais. Então, quando eles precisassem nós poderíamos travar as batalhas. Que eles jamais conseguiriam." 
 Assim foi apresentado ao mundo o primeiro trailer de Guerra Infinita, celebrando os 10 anos cinematográficos que nos trouxeram até esse épico momento.
 A trama já começa com Thanos fazendo uma "visita" nada amigável na nave de Thor, que contém todos os sobreviventes de Asgard, logo de cara somos pegos de surpresa com Thor & Loki correndo perigo. Depois disso sua busca o coloca em uma rixa com não só os heróis mais poderosos da terra, mas também com os protetores da galáxia, assim Vingadores e Guardiões se unem afim de impedir que o vilão destrua a humanidade.
  A partir daí já descobrimos que ninguém, ninguém mesmo está a salvo, e como se estivesse assistindo um episódio de Game of Thrones, tememos pelos nossos favoritos (e com toda razão. Afinal, um vilão que conseguiu amedrontar até mesmo o poderoso Hulk, dever ser temido, e muito.)
  O Roteiro é muito bem elaborado, deixa uma brecha para continuação, mas sem falhar, as 2h36min de filme pegam sua atenção tão rapidamente que você mal as vê passar. Os diálogos conseguem equilibrar bem o tom cômico do dramático. O filme se atreve a ousar sem perder sua essência; o tom cômico, as cenas de ação, os monólogos e diálogos difíceis de esquecer (...) Tudo aquilo que faz os filmes da Marvel serem sucesso continuam lá.
  Com tantos heróis juntos em tela era de se esperar que talvez os diretores ficassem perdidos sem saber onde colocar quem ou até mesmo o que fazer com alguns, mas esse erro não ocorreu aqui, assim como em Guerra Civil cada um tem seu papel na trama, não importando quão pequeno seja, todos são fundamentais para a derrota do Titã Louco.
  A fotografia é bela, uma ótima mistura da beleza de diversos universos, com as linda paisagens de Wakanda e até mesmo com a caótica metrópole de Nova York.
  Em meio há tantos heróis, o estranho aqui é o vilão roubar a cena como nunca antes, Thanos é tão bem construído e apresentado que poderíamos facilmente mudar o nome do filme para Thanos: Guerra Infinita ou Thanos X Vingadores. Ele é o centro de história, sua busca incessante pelas jóias do infinito e seu propósito do que quer com elas celam a trama; sua relação com sua filhas, principalmente Gamora, desfazem a carapaça de cruel o que o humaniza.
  Josh Brolin com seu carisma consegue amedrontar e encantar ao mesmo tempo, aqui o CGI colabora para transformar a persona de Thanos no que ela realmente é, alguém que é temido em todos os cantos do universo.
Esqueça tudo aquilo que você está acostumado a ver, aquela Marvel que te fazia sair do cinema toda sorridente e feliz não existe mais, ela amadureceu e agora vai te fazer sair do cinema com a mente explodindo com milhares de teorias sobre o que pode vir a seguir.
 Guerra Infinita correspondeu ao Hype, e é realmente tudo aquilo que esperávamos que fosse: surpreendente, magnífica, épica e inesquecível. É o fim de uma era, o fim de uma Marvel familiar e conhecida, e o começo de uma nova que sem dúvida trará maravilhosos frutos, esta década do Mundo Cinematográfico Marvel foi incrível e valeu cada centavo, agora que venham mais 10, mais 20 e que sejam tão épicas quanto essa.

domingo, 1 de abril de 2018

Eu sou uma aberração, sou uma esquisita... E tudo bem!


  Desde pequena eu sempre tive essa vontade de me enturmar; no fundamental I eu queria ser uma das garotas populares do colégio, no fundamental II eu falava com todos da sala, mas não era tão popular; eu sempre fui a estranha, a louca, a "diferentona", a excluída da sala e isso sempre me incomodou, principalmente porque eu nunca gostei de ser de um grupo só, eu gosto de ser de todos, eu tentava "entrar" e fazer amizade com todos.
 Quando chegou o colegial era a mesma coisa, e foi assim o primeiro ano todo. Até veio o supletivo e isso mudou completamente; acho que o fato de ter pessoas de diferentes tipos e idades deve ter ajudado, mas enfim na primeira semana de aula eu fiquei muda, não fiz nenhuma amizade, pode não parecer, mas eu sou meio tímida e não tenho jeito ou paciência pra fazer amizade (sempre acho que estou velha demais pra isso). Na semana seguinte conversei com uma menina e nos tornamos amigas com facilidade.
 Eu fiquei um ano e meio nesse colégio e no segundo semestre eu já "popular" na sala, falava com todo mundo e quando tinha prova de inglês todos me pediram cola; eu gostava disso: não chama muita atenção, mas também não passava despercebida. Então, aquele um ano e meio de supletivo acabou e veio a faculdade e eu só pensava "vai ser a mesma coisa que o fundamental: muitos grupinhos e eu não vou me encaixar em nenhum."
 O primeiro ano começou cheio de promessa, era uma nova aventura e eu estava empolgada e até meio assustada; parecia que eu finalmente tinha encontrado o meu lugar. Sabe o que é estar em um lugar onde todos tem muitas coisa em comum comum com você? Seja a forma de pensar sobre determinado assunto ou o mesmo gosto pra séries? A faculdade é exatamente assim, e foi assim por um tempo. Porém ultimamente não tem sido assim, sei lá.
 Cheguei a conclusão que isso talvez seja uma coisa que eu aprenda a lidar mais facilmente com o tempo. 
 Acho que eu só preciso me acostumar e aceitar minha própria estranheza e entender que todo mundo se sente um peixe fora d'água às vezes, é que tudo bem ser estranha porque todo mundo tem suas peculiaridades e são essas peculiaridades que nos tornam únicos. 
 Além disso, recentemente eu fui lembrada de que os grandes gênios da humanidade, e os maiores artistas não eram de fato, normais, todos eles tinham seus problemas, suas esquisitices, seus demondem. E como diz Alice "Você é louco, louquinho, mas vou lhe contar um segredo: As melhores pessoas são assim!" 


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Indícios do fim de um Verão


  Assim como o clima de um verão em São Paulo nossa história começou outrora frio, outrora quente. Quando coloquei meus olhos em ti pela primeira vez te detestei, para mim você era apenas um invasor que estava tentando ocupar o meu lugar.
 ‎ Os dias foram passando, se tornando semanas e eu fui percebendo que minha primeira impressão de você não poderia estar mais errada; você era culto, interessado, sincero, gentil e carinho. Tudo isso envolto em um mistério que por mais que eu tentasse, não conseguia desvendar.     Com cautela e muito desejo fomos cedendo ao charme um do outro. Depois do nosso primeiro beijo, eu não queria mais tirar minhas mãos de você, tudo aconteceu tão naturalmente, tão inocentemente; estávamos em um campo aberto, tudo que havia ao nosso redor era a natureza, em sua mais linda e pura forma, nos deitamos na grama um ao lado do outro, e eu não pude deixar de notar a perfeição daquele momento, e te disse o quanto eu amava isso, o modo como tudo parecia se encaixar perfeitamente, como se o mundo pertencesse somente a nós dois. Quando seus lábios tocaram os meus eu senti o infinito, e foi naquele momento que eu soube que te amava.  
 Lembro-me como tudo se tornou mais difícil depois daquele beijo, eu jamais me arrependi, mas confesso que ele tornou a distância entre nós quase impossível e insuportável. Eu queria saber onde você estava, o que estava fazendo e porque não estava comigo. Sua presença me acalentava, mesmo que eu não pudesse tê-lo ao meu lado, e o fato de você ter tentado acabar com tudo antes mesmo de começarmos me corroía por dentro, eu podia não ter a menor ideia do que iria acontecer, mas estava disposta a arriscar, acho que o amor havia me enchido de coragem, de fato. Você insistia em não ceder e permanecia ausente, então comecei a procurar em outras bocas e corpos aquilo que você me negava, mas não fez diferença porque nenhum deles era como você.
 Seus muros foram caindo e nossa amizade restaurada, seria esse o primeiro indício de que o "nós" poderia finalmente acontecer? Para minha alegria sim, você finalmente havia destruído todos os muros que cercavam seu coração e se entregou de corpo e alma a mim. E enquanto minha cabeça repousava em seu peito ouvindo as calmas batidas de seu coração, nossa pequena bolha de amor foi sendo formada, quisera eu viver nela para sempre.
 O fim do verão começava a surgir e você teve que fazer uma pequena viagem, antes de voltar de vez para casa, estava certo de que aquele seria o nosso fim, até que meus pais tiveram a brilhante ideia de me mandar ir com você, eles acharam que já era hora de eu sentir novos ventos nos cabelos, era como se eles soubessem que queríamos mais tempo.  
 Nossa pequena viagem foi curta, mas prazerosa, aproveitamos todos os momentos que podíamos com a companhia um do outro, nos amamos loucamente como se o amanhã jamais fosse chegar, o problema é que ele chegaria mais rápido do que pensávamos, esse pensamento trouxe pesar ao meu coração e lágrimas começaram a surgir em meus olhos e cair pelo meu rosto, você me abraçou e como em uma súplica eu disse "Eu não quero que você vá!" Você me apertou ainda mais contra seu peito e eu coloquei minha cabeça em seu ombro tentando guardar seu cheiro, junto com cada detalhe seu, em minha memória. 
 No dia seguinte fomos a estação de trem, nos despedimos com um longo abraço, foi quase impossível te deixar ir, você entrou no vagão, o ferroviário fechou sua porta, da janela trocamos um breve olhar que pareceu ter um significado maior do que o que parecia e o trem começou a partir.   Enquanto assistia sua partida um filme se passava em minha cabeça, o filme da nossa história, mesmo lutando para contê-las as lágrimas insistam em descer pelo meu rosto, assim que conseguir me controlar liguei para minha mãe pedindo que ela me buscasse, eu realmente não estava em condições de voltar sozinho, precisava de um colo. E enquanto eu voltava completamente arrasado para casa tive consciência de que apenas meu corpo estava voltando, pois meu coração havia sido deixado naquela estação de trem. 
 Com a dor e a solidão como companhia eu tive a certeza de que o que aconteceu entre nós acontecia poucas vezes na vida, o sentir com aquela intensidade que sentimos era raro; nós tivemos as estrelas você e eu e isso apenas é dado uma vez. 
 O inverno chegou trazendo notícias suas; céus eu sentia sua falta mais do que queria admitir, você disse que tinha novidades e eu pensei que você estava noivo, eu mal sabia o quão certo estava (Merda! Maldita boca a minha.) 
 Eu o chamei pelo meu nome como costumávamos fazer, você me chamo pelo seu e disse que se lembrava de tudo. Então, eu entendi, nós jamais nos esqueceríamos daquele verão, ou um do outro, eu jamais te esqueceria porque aquilo não tinha sido um mero amor de verão, você tinha sido meu primeiro amor, portanto estaria marcado em mim para sempre.