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terça-feira, 21 de abril de 2020

Nessa Quarentena, Todos os Dias são Domingo.


Esses últimos dias em casa tem sido um verdadeiro teste para a minha sanidade. Eu achava que o fato de praticamente ter sido criada entre quatro paredes havia me preparado o suficiente para isso, porém há uma discrepância gritante entre ficar em casa porque você quer e ficar em cada obrigatóriamente porque tem uma pandemia mundial acontecendo, e colocar o pé para fora de casa é um risco não só a sua saúde, mas também a de todos que convivem diariamente com você.
Tenho tentado me manter ocupada distraindo a mente com diversas formas de arte; filmes, séries, músicas e livros tem sido crucialmente importantes para fugir dessa realidade; também tenho tentado escrever, pegar na caneta e transcrever no papel todo vulcão de emoções que eu sinto sempre me ajudou a superar tudo; entretando fazia muito tempo que eu não conseguia escrever nada. Por um tempo tem sido como se as palavras não saíssem mais pelas minhas mãos, como se minha mente não conseguisse processar nenhuma ideia precisa o suficiente para transcrever no papel.
A verdade, é que essa é a primeira vez que escrevo algo em muito, muito tempo, e ainda sim nada disso parece concreto o suficiente.
Talvez a falta da escrita tenha ajudado nessa agravação da minha loucura; eu sempre me senti bem melhor depois que escrevia, era como se tirasse um pouco o peso do mundo dos meus ombros, e eu voltasse a levitar, como um navio que recolhe a âncora e zarpa rumo ao mar aberto. E vamos aos fatos: é bem difícil encontrar inspiração quando tudo o que você vê são quatro paredes e alguns móveis. Uma escritora precisa vivenciar novas experiências para ganhar inspiração; precisamos ver novos lugares, respirar novos ares, falar e ouvir outras pessoas e eu definitivamente não tenho tido muito disso ultimamente, e para falar a verdade tem sido assim a um tempo, bem antes de todo esse caos acontecer as coisas já estavam assim, tenho vivido minha própria quarentena isolada há um longo tempo.
Me sinto num limbo, presa no mesmo lugar sem conseguir sair enquanto todos ao meu redor estão livres para ir e vir.
Há tempos que todos os meus dias tem sido como domingos, e pior: domingos com hiatus de Game of Thrones, ou seja aqueles domingos em que não há nada pelo que almejar.
Domingos para mim sempre foram dias "mortos", onde não há nada o que fazer além de ficar em casa e encarar a solidão, onde mesmo que você tenha qualuqer coisa para fazer seu humor e vibe não deixam, e você só quer ficar deitado vegetando. E o pior é que por mais que você tente cancelar e odiar os domingos, eles sempre trarão as segundas e assim o ciclo vicioso continua, mais uma semanda começa e logo outro domingo chega. Ah, como eu detesto os domingos!
O que mais me atormenta, e saber que não existe uma data específica para marcar o fim desse "tempo de infinitos domingo".
Espero que tudo isso seja mesmo "só uma fase" e que essa fase não se prolongue muito mais. Espero que tudo volte ao normal, ou ao menos que tudo se normalize na medida do possível.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A Insônia que a tua falta me causou...

  
  Nas últimas noites a insônia tem sido minha maior companhia, minhas noites que antes eram inundadas por inspiração e solidão agora tem também a insônia como companheira; diferente de mim que continuo solitária.
 Tenho convivido com um buraco enorme no peito, uma saudade que não tem nome (quer dizer tem sim, o teu) desde que vi aqueles olhos castanhos me olhando pela última vez e te deixei ir. 
 Preciso dizer que não me arrependo disso, você assim como eu é pássaro solto que ama voar; e eu te amo demais para te engaiolar, prefiro continuar te amando enquanto te vejo voar livre e feliz; mesmo que estejas construindo ninhos em outros galhos. Não, realmente não me arrependo, mas não posso negar que tua presença me faz muita falta; vivo todos os dias pensando, imaginando o que poderia ter sido; é tão triste dizer que a nossa história acabou antes mesmo de começar.
 Imagine, só por um instante o que poderia ter sido: eu e você andando de mãos dadas pelas ruas como um verdadeiro casal clichê, não dando a mínima para o que os outros vão pensar; fazemos um piquenique no parque, você deita a cabeça no meu colo e eu começo a fazer carinho, você diz que adora e que isso quase te faz dormir; voltamos para casa e na hora da despedida nossos olhares se cruzam, damos as mãos, aproximamos nossos rostos um do outro, você me puxa pela cintura, me coloca contra a parede e me beija. BOOM! É como fogos de artifício. Quando menos percebo me acendo de uma forma que só você foi capaz de acender. 
 Deus, como sinto falta disso! dos seus beijos que me faziam ver estrelas, da sua boca no meu pescoço, das suas mordidinhas, das suas mãos nas minhas costas e na minha cintura, do seu toque, do seu cheiro.
 Parece loucura, mas acho que minha cama sente sua falta também; ela ficou mais fria sem você e tem um grande vazio, um buraco enorme que você deixou com o seu formato que só não e maior que o que você deixou no meu coração. 

 Eu já não dormia antes de te conhecer, quer dizer até dormia lá pelas duas ou três da madrugada, mas ainda assim dormia pelo menos um pouco; hoje não durmo mais, fico acordada até às cinco ou seis horas da manhã com a cabeça maquinando sem parar, só pensando em você, em nós; enquanto penso meu coração dispara, "tropeça quase para" como diria Tiago Iorc, meus olhos se enchem de lágrimas e eu choro até cair no sono; depois de um tempo acordo percebo que tu não estás ao meu lado e não consigo mais dormir, a insônia vem de novo, essa é a insônia que tua falta me causou.